Publicado em: 6 de julho de 2022 · Na mídia
BMP MoneyPlus quer deixar “bastidores” e prevê transacionar mais de R$ 100 bi este ano

Com atuação discreta e nos bastidores, a BMP MoneyPlus — um dos principais provedores de banking as a service (BaaS) do país — agora quer se mostrar mais.
A empresa está começando a constituir uma área de marketing, vai patrocinar o Febraban Tech (antigo CIAB) em agosto, prepara o lançamento de uma nova marca, que é guardada a sete chaves, e segue reforçando sua equipe de tecnologia — que representa um terço dos mais de 200 funcionários.
“Estamos vindo não mais como um movimento de suporte para quem está procurando uma ponte para ser instituição, mas uma estrutura firme e robusta em que fazemos crédito, cobrança, regulatório, atendimento, estruturamos funding, entregamos, de fato, algo completo. Entregamos o banco, não o banking”, disse Carlos Eduardo Benitez, CEO da BMP MoneyPlus, ao Finsiders.
O executivo antecipou algumas novidades para este ano. Uma delas é o relançamento do Credicarro, plataforma para financiamento e refinanciamento de carros criada por ele em 1999, e que daria origem ao negócio da BMP. Na época, Carlos Eduardo construiu uma plataforma que sua filha, hoje com 10 anos, faria, brinca ele. “Eu recebia proposta, copiava numa ficha cadastral para o banco analisar, recebia de volta”, relembra.
Vinte e três anos depois, agora o executivo enxerga oportunidade em um peer-to-peer (P2P) na operação de veículos, com foco em financiamento e refinanciamento. “A estrutura está 100% pronta”, conta. “Tiramos tudo em volta que poderia ser complexo, como lojista, concessionárias, correspondentes, e vamos trazer comprador e vendedor. É um P2P de veículos, mas temos conhecimento e ferramentas para trazer para a operação. Existe demanda no mercado para uma pessoa física vender para outra.”
Com operação inicialmente na região Sudeste, em estados como São Paulo, Paraná e Minas, a Credicarro versão 2022 atuará com a própria estrutura financeira, mas também abrirá a plataforma para instituições parceiras. “O mercado é colaborativo. Prefiro ter outros bancos juntos do que perder a operação”, diz.
Nos próximos meses, a BMP também vai ampliar a atuação em alguns segmentos e modalidades, como linha de financiamento para máquinas e equipamentos.
“Já atuamos na construção, terraplanagem, agro e mineração, com linha amarela, e vamos baixar a régua, para atuar no mercado de máquinas de até R$ 80 mil. Vamos financiar a empilhadeira”, revela.
Outro produto que está sendo lançado é o ‘buy now, pay later’ (BNPL), o crédito direto ao consumidor (CDC) em versão digital. “Nosso modelo é um pouco diferente”, diz Carlos. “A solução traz uma ferramenta de controle que vai usar Open Finance, em que visualiza movimentos para efetuar os débitos. Analisamos para ver fluxo de entradas, e tem uma inteligência que analisa a operação.”
A BMP também vai reforçar sua atuação no chamado ‘crédito fumaça’ via maquininhas de cartão. “Interrompemos devido aos problemas do registro de recebíveis. O BC está ciente disso. Foram resolvidos os problemas de antecipação de recebíveis, mas de capital de giro, não. As registradoras não têm capacidade de processamento e de atendimento aos problemas”, avalia.
A empresa está fazendo, ainda, um spin-off para começar a vender tecnologia bancária, com um core banking completo. “Desenvolvemos muita coisa dentro de casa, e outros podem consumir tudo isso”, conta Carlos. “A ideia é ir ao mercado em dois anos”, completa o executivo.